Quando me formei como Engenheiro Agrônomo, na renomada Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP de Botucatu em 1996, havia no país nesta época, menos de 100 cursos de Agronomia e todos apenas no modo presencial. Pesquisando algumas informações na web recentemente, me assustei com dois fatos:
- O número de cursos de Agronomia saltou em 20 anos de menos de 100 para 415 cursos, onde a graduação no Agro se tornou muito atrativa como negócio, devido as crescentes demandas por profissionais em um setor pujante, que vem crescendo a cada ano.
- Destes 415 cursos, 405 são presenciais e formam por ano aproximadamente 38.000 profissionais e apenas 10 cursos EAD (Ensino a distância) estão “formando” aproximadamente 51 mil profissionais (57% do total) para o mercado, totalizando 89 mil agrônomos no mercado por ano.
A reflexão que gostaria de fazer aqui, colocando a palavra formando entre aspas, é: A qualidade técnica (conteúdo relevante e atualizado com aulas práticas) que estes jovens estão recebendo, neste enorme número de cursos e novas modalidades on-line, está atendendo a demanda do mercado?
Como atuo há muitos anos, na área de vendas e marketing no Agro, com consultoria, programas de capacitação, mentorias, palestras e aulas em 2 MBAs do Agro, convivo mensalmente com dezenas de profissionais do agro, seja da área técnica e comercial, seja os donos e gestores de empresas (revendas, cooperativas e fabricantes) e o comentário recorrente é o seguinte: Loyola, está muito difícil encontrar no mercado, profissionais tecnicamente bons e comprometidos com a empresa e com o cliente.
Refletindo sobre este tema e sabendo que no Agro o profissional, para gerar confiança e conquistar uma boa reputação no mercado, tem que conhecer muito bem não somente sobre os benefícios do seu portfólio, mas principalmente sobre o negócio do seu cliente (os cultivos ou as atividades de produção animal), gostaria de trazer aqui, alguns pontos:
Diante deste cenário exposto acima, algumas empresas têm buscado alternativas para poder suprir estes gaps. Citando alguns exemplos, temos a criação, tanto por fabricantes quanto por distribuidores, de programas de estágios e de formação profissional interna, selecionando os melhores profissionais (ATs ou estagiários), para capacitá-los, formando um banco de profissionais, para suprir a demanda da área técnica e comercial. Outras empresas vêm investindo em programas de capacitação contínuo, focando não somente a questão técnica, mas também a comportamental (soft skills) tão importantes nos dias de hoje.
Por outro lado, alguns profissionais (na sua maioria, recém-formados ou com pouca experiência e vivência no mercado), percebendo este déficit ou dificuldade técnica ou comportamental e entendendo que precisam investir para melhorar a sua performance como profissional, estão buscando ajuda através de cursos de especialização, mentorias etc., para se diferenciarem no mercado, melhorando a sua empregabilidade.
Para finalizar, é importante salientar que esses desafios podem variar dependendo do contexto específico e das circunstâncias individuais, mas um ponto é fato: Não podemos ficar de braços cruzados (sejam as empresas ou os profissionais), somente reclamando e esperando que um dia esta situação melhore e sim tomar atitudes necessárias, que possam contornar ou melhorar esta realidade.
Desejo muito sucesso,
Loyola.
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